segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pesquisa mostra que 70% dos gays de SP já sofreram algum tipo de agressão

Estudo também mostra que discriminação acontece, principalmente, dentro das escolas
Uma pesquisa feita pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que 70% dos homossexuais de São Paulo já sofreram algum tipo de agressão. O levantamento aponta que o preconceito, a violência e a discriminação ainda fazem parte do dia a dia da maioria dos gays da capital paulista.
O estudo feito pelo Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, unidade da pasta estadual, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, mostra ainda que, dos 1.217 entrevistados, 62% sofreram agressões verbais. Outros 15% sofreram agressão física e 6%, sexual.
Os participantes relataram também terem recebido ameaças de agressão física, chantagem ou extorsão, além de constrangimento no ambiente de trabalho. Paulo Roberto Teixeira, da coordenação do programa Estadual DST/Aids, afirma que os resultados mostram uma situação inaceitável.
— Não existem leis que criminalizem a homossexualidade. Nem o Código Penal, nem a Constituição Federal proíbem o sexo entre pessoas do mesmo sexo, maiores de 18 anos. No entanto, existem leis estaduais e municipais que proíbem o preconceito e a discriminação por orientação sexual.
A pesquisa, denominada “Sampacentro”, foi realizada no centro da cidade de São Paulo entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, e abordou homens em 92 lugares, entre casas noturnas, saunas, cinemas e na rua. Esses locais foram previamente selecionados.
Para participar do estudo era preciso residir no estado de São Paulo, ser maior de 18 anos e ter tido relação sexual com outro homem. A maior parte dos entrevistados é jovem, com 30,1% na faixa entre 18 e 24 anos e 38% entre 25 e 34 anos.
Ainda conforme os dados obtidos, 68% dos participantes relataram algum tipo de discriminação, como, por exemplo, maus-tratos por parte de professores e alunos dentro das escolas, relatados por 32% dos entrevistados. O ambiente familiar é palco de 29% das reclamações de discriminação dos homossexuais que participaram da pesquisa, assim como o ambiente religioso (23%) e entre amigos e vizinhos (29%).
Entre os 1.217 participantes, 776 deles concordaram em realizar um teste para constatar se tinham HIV, dos quais 16% tiveram o resultado positivo para o vírus da Aids.
Fonte: R7

domingo, 29 de julho de 2012

Cartilha gay diz que homossexuais não devem votar em candidatos do PR e do PP


Uma cartilha em que homossexuais avaliam candidatos e partidos políticos foi elaborada e divulgada na internet. Batizada “Cartilha LGBT para as Eleições 2012/2014″, o material é assinado por membros do grupo “LGBT  Brasil” do Facebook e do Orkut.
Segundo a cartilha, candidatos do PR – formado pela fusão do Prona e do PL – não devem receber votos dos homossexuais, pois o partido pertence a um grupo que deve ser “combatido pelos LGBT”. O mesmo vale para o PP.
O senador Magno Malta (PR-ES) e o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) são citados como os principais articuladores de propostas que prejudicam os gays.
Os deputados federais Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Paulo Maluf (PP-SP) também aparecem como candidatos que não devem ser votados “em hipótese alguma”.
Álvaro de Lima Oliveira, 38, foi uma das pessoas que ajudou a escrever o documento. Oliveira, que é medico e vive em Guaxupé (MG), disse que contou com outros membros da comunidade na elaboração do trabalho, que foi feito todo pela internet.
A ideia de produzir um material que orientasse a comunidade LGBT na hora de escolher seus candidatos surgiu a partir da ausência de uma representação política para esse público. ”Todos conhecem a bancada evangélica, mas ninguém sabe quem faz parte da bancada de livre expressão sexual”, disse Oliveira.
Dicas de como identificar um político que apoia as causas gays e de como votar bem, na ótica do movimento LGBT, ocupam parte das 37 páginas da cartilha. Uma avaliação detalhada de cada partido foi feita, sendo que 12 deles são citados de forma negativa, por supostamente atuarem contra as lutas do grupo.
Outro lado
O deputado federal Jair Bolsonaro disse que se sente “orgulhoso” por fazer parte da lista dos políticos não recomendados pelo movimento.
Segundo sua assessoria de imprensa, Magno Malta informou que irá pedir a retirada do seu nome.
Anthony Garotinho e Maluf preferiram não se pronunciar sobre o assunto.
O trabalho foi lançado em março e os autores não têm estatísticas de visualizações do mesmo, todavia, afirmam que a página criada no Facebook para divulgar o trabalho já conseguiu alcançar mais de 62 mil pessoas. Leia a cartilha aqui.

Exposição de brasileiro em Nova York denuncia violência contra homossexuais no Brasil

“Menino de 14 anos se assume gay e é enterrado vivo pelo padrasto”, diz um dos textos que acompanha as fotos de Crimes Against Love, do artista carioca Cyriaco Lopes
A exposição Crimes Against Love, do artista visual carioca Cyriaco Lopes, procura representar em Nova York, nos Estados Unidos, a violência cometida contra homossexuais no Brasil. A abertura é dia 7 de agosto, mas ela já está na President’s Gallery, a faculdade de Justiça Criminal da City University of New York.
São 13 fotos de esculturas desgastadas e quebradas que Cyriaco tirou nos últimos anos no Metropolitan Museum, no Cloisters Museum – ambos em Nova York – e no J. Paulo Getty Museum – em Los Angeles. Abaixo de cada foto, há páginas vermelhas, com textos retirados de notícias de jornais sobre agressões que homossexuais sofreram nas cidades brasileiras.
“Menino de 14 anos se assume gay e é enterrado vivo pelo padrasto” é o conteúdo de um desses textos. A trágica história de Osvan Inácio dos Santos, violentado até a morte, em setembro de 2007, está também entre os textos: “Naquela noite: 1) Ganhou o Miss Gay Piracicaba, 2) Foi estuprado, teve seu crânio esmagado”. O assassinato dramático de uma transexual, em 2011, que, após ter batido o carro, fugindo de uma perseguição, foi arrastada pelos cabelos e agredida, consta em outro.
A exposição de Cyriaco busca lidar com o paradoxo entre os avanços dos direitos dos homossexuais e o aumento dos crimes de origem homofóbica. “Antes, quando nós gays ficávamos invisíveis, sabíamos qual era nosso lugar, e, agora, quando temos uma abertura política maior, uma ampliação dos direitos civis para homossexuais, há uma reação forte. Quis fazer um trabalho sobre essa resposta”, disse.
Em maio do ano passado, no Brasil, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, e a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou projeto de lei que insere a união civil entre elas no Código Civil. Mas nesse mesmo ano, a Secretaria de Direitos Humanos registrou uma média de 3,4 denúncias diárias de violência praticada contra LGBTs. Tratavam-se de casos de violência física, sexual, psicológica e institucional. “Por que os homossexuais estão muito mais visíveis, a reação está mais visível. O avanço social e os crimes estão conectados”, avaliou Cyriaco.
As fotografias das esculturas são um memorial às vítimas citadas. “Não estava à procura de obras-primas. Essas esculturas não são conhecidas pelo público, estão em seções pouco visitadas nos museus. Elas são vestígios, lembram as vítimas”, comentou.
No Brasil, Cyriaco já expôs no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), entre outros espaços. Seu trabalho já foi exibido na França, na Alemanha, na Itália, na Polônia e em Portugal. Ele vive e leciona arte em Nova York, e, nos Estados Unidos, expôs também em diversos museus. Cyriaco concentra seu trabalho nos problemas sociais. “Desde a época da ditadura, a arte brasileira não fala de temas sociais, ela é sempre sobre processos e materiais ou sobre história da arte”, disse. Embora ele considere que arte no Brasil seja fantástica, acredita que o circuito seria mais interessante se ela tivesse um compromisso social.
Crimes Against Love é o fruto de dois trabalhos anteriores seus. Um deles é o Big Bronze Statue – de 2009 –, uma intervenção em que espalhou por uma rua de Nova York cartas que continham mensagens de amor do pintor italiano Michelangelo para um homem que muitos supõem que fosse seu amante; o soneto ao jovem rapaz, do escritor inglês William Shakespeare; e as cartas do poeta português Fernando Pesso ao escritor norte-americano Walt Whitman. O outro é Lovers and Saints, de 2007, uma exposição de fotografias eróticas de criminosos presos sendo exibidos à imprensa, semelhante, para ele, ao que eram os mercados de escravos na época da escravidão no Brasil.
Quando morava no Rio de Janeiro, Cyriaco evitava lugares onde sabia que poderia ser agredido por homofóbicos. “Evitava a praia de Ipanema, em certos horários, porque era a época dos pitboys”, contou. Nos EUA, sentiu discriminação quando se mudou para lá, acompanhando um antigo namorado, que ganhara uma bolsa de mestrado no país. “Se nós fossemos um casal de homem e mulher, eu, como parceiro, teria ganhado uma bolsa adicional, e o governo americano teria dado um visto automático, mas isso não ocorreu”. Ele, em todo caso, não precisou, pois passou em primeiro lugar no mestrado e ganhou sua própria bolsa.
Uma das inspirações da exposição é o Projeto de Lei 122. Para Cyriaco, aprová-lo determinará de quem o Congresso brasileiro está do lado, se é da cidadania ou dos agressores homofóbicos. “No Brasil, os artistas plásticos temem levantar qualquer bandeira. É o clichê: não quero que a arte seja panfletária. Eu falo: quero levantar essa bandeira, sim.”
Crimes Against Love fica em cartaz até 7 de setembro.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Governo da Bahia condenado

O Governo da Bahia foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil reais e pensão vitalícia no valor de quatro salários mínimos, cerca de R$ 2,5mil, para uma adolescente de 15 anos que foi infectada pelo vírus HIV em um hospital público de Salvador. 
A decisão foi tomada pelo desembargador Salomão Resedá e outros três magistrados em sessão da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia nesta terça-feira (24), de acordo com informações da assessoria de comunicação do órgão.
A criança convive com a doença desde os três anos, quando foi infectada durante uma transfusão de sangue no Hospital Roberto Santos, da rede de saúde do estado, em razão de uma anemia. A decisão será publicada no Diário da Justiça desta quarta-feira (25), mas o Governo poderá recorrer da sentença no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
Segundo a decisão do juiz, o pagamento da pensão de quatro salários mínimos para a garota infectada com a doença deverá ser feito por toda a vida da adolescente, que teve o nome preservado. O processo, de acordo com informações da TV Bahia, teve início 2005 e chegou a ser julgado em 2010.
Em entrevista ao notícia da emissora baiana, o pai da adolescente, Carlos Alberto Silva, disse que ?a decisão vai amenizar um problema que vivemos. Agora sabemos que ela vai ter uma qualidade melhor de vida?. Apesar da felicidade dele, a Procuradoria Geral do Estado da Bahia informou que vai recorrer, mais uma vez, da decisão judicial no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Com informações do Correio da Bahia    

Fonte: Grupo contra o preconceito

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Kit gay chega às escolas brasileiras e causa revolta em cristãos.

Menino brinca de boneca?
A família Bolsonaro denunciou nesta segunda-feira (23) em seu site que o “kit gay” já chegou às escolas e alertou para o estímulo ao homossexualismo que o material contém. Trata-se do livro didático chamado “Menino Brinca de Boneca?” adotado pelo Ministério da Educação como referência para alfabetização das crianças até 6 anos de idade.
De acordo com o site, cujo líder Jair Bolsonaro é conhecido por sua oposição feroz às ações dos grupos LGBT na política, o livro já está sendo utilizado em algumas escolas particulares em São Paulo. O livro ainda deve expandir para todo o Brasil, segundo a orientação do Governo Federal.
Caso seus filhos tenham este exemplar em suas mochilas, fiquem atentos pois certamente estão recebendo carga de informações estimulando o homossexualismo em suas cabeças, alerta o site.
O site também mostra fotografias do “Menino Brinca de Boneca?” onde a família expõe palavras obscenas num conteúdo para crianças como “vulva” e “pênis”, citadas na página 16 do livro. Além disso, a família Bolsonaro aponta para a contra-capa, onde diz-se que Frei Betto é incisivio ao dizer que a obra criada estimula o público infantil a decidir-se por si só sobre sua sexualidade.
Um outro livro apontado no site foi “Porta Aberta”, de Geografia e História, que é voltado ao público do primeiro ano, e segundo os Bolsonaro também estimula o homossexualismo. A lição mostra uma brincadeira intitulada de ‘Gavião’, na qual um homem adulto agarra uma criança, ambos nús, orientando que os meninos e meninas brinquem daquela maneira com seus amigos. Uma clara afronta que estimula a pedofilia.
Além disso, o livro possui na página 225, um jogo da memória formando famílias de pais homossexuais. Além das mensagens diretas, em ambos é nitidamente fácil constatar as mensagens subliminares envolvendo o homossexualismo e pedofilia, que são exploradas durante todas as tarefas ensinadas, afirmam os Bolsonaro no site.
A sanha dos ativistas homossexuais que desde o início mentem e dizem que o kit-gay não seria para o público infantil é desmascarada, e já tomou também as escolas privadas do Brasil. É isso que queremos para nossos filhos?, diz Bolsonaro.
O material vem depois que um outro material contra homofobia, conhecido como ‘kit-gay’ e lançado pelo Ministério da Educação, foi vedado pela presidente Dilma Rousseff, após pressão da bancada evangélica.
O pedagogo Felipe Nery, que primeiro detectou a inclusão de livros com tal conteúdo nas escolas, levou a questão à Frente Parlamentar Evangélica no início do mês de julho. Ele, que é membro do Instituto de Ensino Superior de São Paulo, apresentou outros dois livros: “Porta Aberta”, voltado para alunos de 6 anos, da autora Mirna Lima e editado pela FTD; e “Aprendendo a Viver, Sexualidade”, voltado para alunos de 10 e 11 anos, das autoras Patricia Mata e Lydia R., editados pela Ciranda Cultural.
Segundo Nery, a distribuição dos livros está sendo feita nas escolas que não possuem um projeto pedagógico. Ele também alerta que os pais devem acompanhar o material que é usado na educação dos filhos.
Explicações são esperadas do atual ministro da educação, Aloízio Mercadante (PT-SP) à pedido do deputado federal Filipe Pereira (PSC-RJ).

por Redação MundoMais

quinta-feira, 8 de março de 2012

Em dia especial, transexuais contam que ser mulher é 'questão de alma'

Estudante e cabeleireira narram como é ser mulher em corpos de homens.
'O sexo não pode ser reduzido à genitália', avalia pesquisador da UFBA.

Por Tatiana Maria Dourado

Jeane Louise (Foto: Tatiana Maria Dourado)Jeane Louise tem 19 anos e estuda publicidade
(Foto: Tatiana Maria Dourado)
“Uma mulher aprisionada em um corpo de homem”, é assim que se sente a universitária Jeane Louise, 19 anos, estudante do 5° semestre de publicidade, em Salvador. Transexual, assim como muitas outras, quer entrar na fila do SUS para realizar cirurgia de redefinição sexual, processo final da reconstrução de sua estética feminina, iniciada ainda na infância.

“Chega um momento em que sua verdade é muito forte, é questão de alma. Nas brincadeiras de infância, minhas personagens eram sempre do gênero feminino, me refugiava ali. Depois veio a blusa, o cabelo, a calça apertada, o furo na orelha. Em geral, nenhuma transexual sabe que é transexual, é um processo de conhecimento, de acesso à informação”, afirma.

O enfrentamento das pessoas que nasceram homens, mas assumem papéis sociais femininos e lutam para serem reconhecidas pela maioria é vivido por transexuais como Jeane, que remonta a forma física através de hormônios, silicone, implante capilar e outros paliativos como a maquiagem. Mas o desejo de formalizar a transexualização, para ela, só será completa com a alteração do órgão sexual, que pode ser conquistada por meio da cirurgia de transgenitalização, instituída no Brasil em 2008 com a Portaria de número 457, do Ministério da Saúde. Atualmente, a cirurgia é autorizada apenas em quatro hospitais universitários: um da UFRG, Porto Alegre; um da UERJ, Rio de Janeiro; um da USP, em São Paulo; e o da UFG, em Goiás.

Cento e dezesseis brasileiras já passaram pelo procedimento, que consiste na amputação do pênis e construção da neovagina. É preciso, antes, que a mulher transexual passe por etapas preparatórias, que preveem avaliações psicológicas e psiquiátricas, terapia hormonal, avaliação genética e acompanhamento pós-operatório, conforme especifica o Ministério.

“Vou concluir o primeiro ano de terapia, a fila é enorme e esse trâmite é muito sofredor. Temos que ser guerreiras para conquistar espaço. Mas sei que vou me sentir realizada. Hoje, quando me olho no espelho, me vejo incompleta, com aquilo que não condiz à minha mente. Ser mulher ou homem está na mente, não é a aparência física”, avalia a estudante.

Jeane Louise (Foto: Tatiana Maria Dourado)Jeane Louise pretende ingressar no serviço público
(Foto: Tatiana Maria Dourado)
Jeane Louise encarou cedo o autoconhecimento e aceitação, mesmo em meio ao coro de “viadinho” que diz ter sido bastante emitido pelos colegas no período em que esteve em uma "escola de padres".

“Eu realmente 'metia a mão' neles e ia para a diretoria. Se continuasse ali, iria entrar em depressão, porque eu chegava no colégio, colocava maquiagem e me mandavam tirar. Era horrível! Pensava: se não puder usar em casa ou no colégio, onde iria usar? Saí de lá, fui para uma escola pública e foi lá que me encontrei de verdade como mulher; o pessoal tinha a cabeça mais aberta”, lembra.

Jeane mora com a mãe - os pais são separados - e diz que sabe diferenciar o respeito da aceitação. "Minha mãe teve um filho e até hoje ela não me chama de Jeane dentro de casa. Meu pai era muito machista e me surpreendo com o respeito que me trata. Não digo que me aceitam, mas respeitam e isso já dá força. Faço tudo com os pés no chão”, comenta.

Filha de sargento
A cabeleireira Luana Neves também luta pela conquista plena de pertencer ao gênero, porém há mais tempo, desde os 18 anos, quando saiu de Mato Grosso do Sul para morar na capital baiana. Neste período, compreendeu que, para ela, mais importante que o processo de transgenitalização seria a retificação jurídica do nome civil. “Tenho convicção de que quero fazer a cirurgia, mas meu principal desejo é o da retificação do nome. Eu evito ir a hospital, banco, fico muito arrasada em relação a isso, porque estou vestida de mulher, mas as pessoas me chamam com meu nome de batismo, não o social, por puro preconceito”, afirma. O projeto de lei 72/07, do deputado Luciano Zica (PV), que prevê a alteração do nome civil para o social nas disposições da Lei dos Registros Públicos (Lei n° 6.015/1973), tramita no Senado e, atualmente, aguarda a designação do relator.

Luana Neves (Foto: Luana Neves/Arquivo Pessoal)Luana sonhou e se frustou com a carreira militar
(Foto: Luana Neves/Arquivo Pessoal)
Filha de sargento do Exército, um dos grandes sonhos de Luana, já tentado e descartado, era o de seguir a carreira militar. Chegou a se alistar, passou em todos os testes, inclusive o psicológico e o de aptidão física, experimentou a roupa no quartel. Até que não resistiu ao incômodo do ambiente e confessou ao general a sua orientação sexual.

“Eu tinha no sangue a vontade de seguir carreira na área militar, sempre tive esse sonho, mas, naquela época, me senti muito mal. Estava prestes a assumir uma personalidade que não era a minha”, afirma.

Por vontade, revela que gostaria de ser advogada, no entanto, conta que precisou se condicionar à restrição do mercado de trabalho às transexuais e que é cabelereira não por opção, mas por maior aceitação.

“Quando meus pais saíam de casa, eu colocava a roupa de minha mãe, salto, toalha na cabeça, para fingir que tinha cabelo. Quando a percebia já no portão, jogava tudo aquilo embaixo da cama. Mas eu não sabia em que perfil me encaixava, se era travesti, transexual, drag queen. Eu sempre fui muito fechada e tímida, o que me causou depressão. Eu colocava meus esforços todos no estudo, achava que tinha que estudar para ser uma pessoa de poder”, relembra. Hoje, saias e vestidos, sempre "discretos", são as roupas que mais usa. Já na praia, não abdica de biquínis e cangas.

Ser transexual
O professor e membro do grupo Cultura e Sexualidade, do Departamento de Comunicação da UFBA, Leandro Colling, explica que, para ser transexual, não é preciso concretizar a redefinição sexual necessariamente com cirurgia. “Existem casos em que a pessoa se identifica como transexual e não deseja fazer a completa mudança no corpo. Tem gente que se sente transexual e basta colocar seio, tomar hormônios, para não deixar crescer pêlos; o pênis é o que menos importa. O sexo não pode ser reduzido à genitália, tem a diversidade”, aponta.

Colling, que também é membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, órgão do governo federal, explica que categorias como homem ou mulher não devem ser tão rígidas na sociedade. “As pessoas têm ideias fixas nas suas cabeças, mas, se você olhar para a vida, os homens e as mulheres estão cada vez mais borrando essas fronteiras, desde profissões, gestos, produtos, depilação”, relata.

A autoestima das transexuais é trabalhada no processo terapêutico, de modo que elas possam enfrentar os entraves culturais, como argumenta a psicanalista Suzana Vieira, 46 anos. Segundo ela, existe uma tendência dessas mulheres ao isolamento e à depressão, que pode ser agravada pela falta de apoio das famílias. “As sensações começam desde a infância e, desde então, as pessoas a veem como um menino, ela também se vê fisicamente como menino, mas lida com desejos de menina e começa a esconder os órgãos sexuais. A terapia ajuda a pessoa a entender tudo isso”, ressalva a psicanalista.

Relação com héteros
Por serem socialmente mulheres, as solteiras Jeane e Luana se relacionam com homens e hoje se afirmam heterossexuais. “Eu dou até risada com alguns homens desavisados. Às vezes você já está em um nível de envolvimento e aí tenho que explicar que sou transexual. Tem alguns que não gostam. Me considero realmente hétero”, comenta. “Gosto de homem que gosta de mulher, apesar de ser complicado porque nem todo mundo tem coragem de assumir uma transexual”, ressalva Jeane.

Leandro Colling explica que o gênero não se confunde com a prática sexual. “Ser gay é outra coisa. Existem vários homens que transam com outros e a identidade é heterossexual, a gente precisa respeitar isso. A prática sexual não é um elemento definidor de identidade. Se pessoas se sentem mulheres e transam com homens esse sexo é heterossexual”, acrescenta.
http://ba.gay1.com.br/2012/03/em-dia-especial-transexuais-contam-que.html#

segunda-feira, 5 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

História do Dia Internacional da Mulher, significado do dia 8 de março, lutas femininas, importância da data e comemoração, conquistas das mulheres brasileiras, história da mulher no Brasil, participação política das mulheres, o papel da mulher na sociedade

História do 8 de março
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Objetivo da Data 
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras 
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História 
  • 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
  • 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
  • 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
  • 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
  • 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
  • 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
  • 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
  • 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
  • 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças
  • 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina
  • 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres