terça-feira, 22 de novembro de 2011

Encenação de “sexo oral” na parada gay do Acre gera polêmica com os evangélicos


A Parada Gay no Acre, que reuniu milhares de pessoas no domingo (20), em Rio Branco, será o principal tema dos debates na Assembléia Legislativa (ALE). Deputados da bancada evangélica já manifestaram descontentamento ao líder do governo, deputado Moisés Diniz (PCdoB), por causa de uma performance registrada durante o evento.

Enquanto um trio elétrico tocava o hino evangélico “Faz um milagre em mim”, um homem fazia "sexo oral" num pênis de borracha usado por outro homem, quando os manifestantes caminhavam na Via Chico Mendes, em direção ao estacionamento do estádio Arena da Floresta.

A performance, fotografada pelo blogueiro Marcos Venícius, está tendo enorme repercussão nas redes sociais do Acre.

"Eu nunca tinha visto algo tão escancarado. Os dois homens não são um casal. Eu percebi a movimentação desde o início. O homem de camisa verde era o mais atrevido, enquanto o outro só dançava. O velhinho se aproximou e permitiu o flagrante", relata Venícius.

O governo do Acre é o principal patrocinador da Parada Gay, mas o deputado Moisés Diniz não concorda com a perfomance.

"O detalhe mata o conjunto. Vou fazer a defesa do conjunto e vou condenar a irresponsabilidade. A coordenação do evento deveria ter retirado os dois manifestantes. Existem regras de convivência na sociedade. O que fizeram é abominável e se tornou um tiro no pé do movimento", afirma Diniz, autor de uma lei estadual do Dia da Diversidade.

Segundo o líder do governo, a reação que está havendo não é uma reação moral dos evangélicos, mas uma reação da sociedade. Diniz disse que nenhuma pessoa, em pleno juízo discorda, que o que fizeram depõe contra a bandeira da diversidade sexual.

"O estado não deveria ajudar nenhuma manifestação desse tipo. Minha divergência nesse campo abrange o meu governo, os evangélicos e católicos. Manifestação religiosa, de gênero e cor, o estado tem que ficar à margem. A pornografia depõe contra o movimento. Além disso, entoar o hino evangélico foi uma provocação descabida. Há fundamentalistas nas religiões, mas esse tipo de provocação também tem cunho fundamentalista. Isso é intolerância", acrescentou o líder do governo.

O ativista Germano Marino, presidente da Associação de Homossexuais do Acre, considera “mentira absurda” que o “sexo oral” tenha ocorrido enquanto estava sendo cantado o hino evangélico.

"É só prestar atenção na foto para perceber que as pessoas estavam caminhando. A interpretação do hino estava sendo realizada na concentração, no Calçadão da Gameleira, com as pessoas paradas. Sobre a apresentação do hino, este foi interpretado fantasticamente bem pelo cantor Gentil Quimel, que por muitos anos participou da Assembleia de Deus, e que por ela mesma foi expulso por ser homossexual", afirma Marino.

Para o presidente da Associação de Homossexuais do Acre, o que impera é o preconceito e a homofobia. No entendimento dele, como a foto foi tirada na Parada Gay, os “militantes fervorosos da discriminação, da homofobia, do racismo, do machismo e do fundamentalismo, se aproveitam para reafirmar os seus posicionamentos retrógrados e falsos moralistas”.

"No Carnaval, cenas como estas não são tão provocativas. Não é que a Parada Gay seja um carnaval fora de época, mas é a expressão da população em estar participando de um evento que vem somar com o gosto e a cultura popular. É quem disse que fazer sexo oral com preservativo não é uma política de estado oriunda do ministério da saúde?", indaga Marino.

O presidente da Associação dos Homossexuais do Acre disse que o governo estadual “gastou apenas” R$ 30 mil com a organização do evento.

Fonte: Tribunahoje.com

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